sexta-feira, 11 de maio de 2012

E mais uma vez, a voz sussurra



Ela só precisava dar ouvidos à voz selvagem que vive dentro de todas nós, 
a que sussurra, 
"fique aqui o bastante... 
fique o tempo necessário para reanimar sua esperança, para abandonar seu sangue-frio terminal, para renunciar as meias-verdades defensivas, para se insinuar, para abrir caminho com precisão ou com violência; 
fique aqui o suficiente para ver o que é bom para você, para se fortalecer, para fazer aquela tentativa que terá sucesso; 
fique aqui o suficiente para completar a corrida, não importa quanto tempo demore ou de que forma isso ocorra".

Clarissa Pinkola Estés
Mulheres que Correm com os Lobos

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Encarar a cura


A cura...

Tem que ter persistência.
Coragem.
Instinto feminino.
Observar-se.
Entregar-se.
Entrar na profundidade.
Com olhos abertos.
E corpo preparado.
Mente desperta.
Sem desviar do caminho.

Não há caminho que pode ser percorrido da maneira devida se for desviado.

Não existe shortcut.
Tem que enfrentar tudo o que vem.
Sem fuga.
Olhar para a dor.
Meditar.
E não fugir dela.
Entrar na dor.
Sem se machucar.
Se há algo para curar, aceito.
Faço o que tem que ser feito.
Encarando a verdade.
Sem desespero.
Consciência total.
Foco.
E fé.

Om Namah Shivaya

Krishna, Arjuna e Ganapati


Do dia para noite a vida muda.
Ela te dá a vida mesma como presente.

Um simples sábado que fui ao saturday night market para comprar um tecido com um Ganesh, me dá a surpresa de um bebe esquilo órfão em minha casa.
Lembramos que 2 dias antes, a gata que vive no jardim tinha matado um esquilo, para alimentar seus 3 bebes (que nasceram em minha casa).
Ele estava vivo, gritando pela vida, salvando seus irmãos. Que tiramos de um ninho no telhado.
Todos fracos, desidratados, de olhos fechados e vida pulsando.
Usamos o instinto da natureza para alimenta-los.
Soro caseiro, leite em pó e Reiki.
Começaram a andar, crecer e gritar.
Protegemos dos gatos e demos muito amor.
Observamos alguns processos e tinha um ritual antes de dar comida (leite em pó bem fraquinho), como estimular o pipi com algodão umido para fazer xixi e coco. Funciona.
Alimenta-los a cada 3h.
E dar calor.

Cada um com sua personalidade, dai vem seus nomes:
Krishna, que deu um jump de 4m de altura para sobreviver, se arriscando, e salvar a vida de seus irmãos. Por ser o mais forte, gritava alto, das entranhas, para ser salvo e fazer seu dharma.
Ganapati, por seu instinto brincalhão, desconfiado, que andava para tras até pegar confiança, e rápido nos movimentos, animava seus irmãos subindo em cima deles.
E Arjuna, o menorzinho, que saiu do ninho sem forças, magro, e comia mais que todos para continuar vivo. Despertou com um pedaço do ninho enrolado em seu pescoço e braço esquerdo, e assim perdeu o movimento do punho.

Uma semana de muito cuidado, amor e preocupação. Que a cada dia trazia a beleza da essência do ser humano, o pulsar da vida desde os seres mais pequenos, por seu reconhecimento, pelo sentido do olfato, as pequenas mudanças, forma de andar e correr, mamar, o rabo crescer, o corpinho pegando forma ao sair do chão, dormir todos enroladinhos e juntos, ou no cantinho da perna, ou entre os dedos…
Passados 5 dias começamos a dar um leite que foi receitado pela veterinária que veio ve-los. Lactol.
Pelo nome (e cheiro) parece algo bem quimico, criado por nós humanos, pela ciência, para bebes órfãos.
Cada mamada eles mudavam um pouco. Ficavam lesados, andando menos, comendo menos, Arjuna com a barriga inchada e coco água.
Eles já estavam escalando rápido e firme os braços, ombro, roupas, estavam fortes, brincando com as mãos, ainda de olhos fechados.
Ficaram preguiçosos e fracos de um dia para outro.
Sabado eu estava sentada na varanda e vi a gatas, com seus 3 bebes crescendo, mamando, dormindo, vivos com o amor de sua mãe… Me deu um aperto, uma pena por eles estarem só, sem a mãe. Então fui ficar com eles, dar leite e calor.
Uma semana depois de salva-los, de progresso e luta individual, os esquilos pararam de gritar. Um a um, Krishna, Ganapati e por ultimo o guerreiro de menor tamanho, Arjuna, que lutou muito.
Deixamos de ouvir o coração para escutar a ciência… E foi o que foi.
Nos deram uma semana a eternidade do presente.
O presente da vida.
A volta para a essência.
O dharma de cada um.
A felicidade e beleza da vida.
A simplicidade de simplesmente ser.
O amor a cada ser como unico.
Ou como Um.

Hare Krishna!
Hare Arjuna!
Jaya Ganapati!

sábado, 28 de abril de 2012

Falar de quem


Quando falamos e analizamos uma pessoa, sempre partimos de um julgamento. Que é a opinião de alguém sobre algo, a partir de um juizo de valor.
Quem cria esse valor?
Em geral, pessoas distintas. Já que um fala do outro e ninguém fala de si.
Mas o que será que os outros falam de nós? Qual a maneira que nos vêem? Com base em que o outro nos julga?
E tem também um auto-julgamento. Que tem a ver com projeção, comparação, adequação, que cada um vê em si mesmo.

Como se adaptar a tudo isso?
Como agradar a todos?
Para que querer ser o aceito por todos?
Qual a verdadeira importância de tudo isso?

Tanta criação mental. E tantas diferenças.
Tanta gente no mundo. E tantas regras.
Tanta pessoa diferente. E tantas opiniões.
Tanta beleza externa. E tantas internas.
Tanta natureza diversa. E tantas infinitas.
Tanta opção de felicidade. E tantas tristezas.
Tanta busca sem achar. E tantos encontros.

Sem duvidas


“There is no doubt if we trust in life.
You ignore the doubter but try to solve the doubts...
Hold on to the doubter and the doubts will disappear”.
Ramana Maharshi. Talks 7/20/36


Difícil entender a vida sem confiar nela.
Nada que acontece é um fato isolado de um dia qualquer.
Tudo pode fluir mais, se deixamos a leveza do coração fazer parte das nossas atitudes.
Já que pensar para agir não significa ser o que é.

Não ser natural.
Inventar um personagem que fala, discursa, sorri e não se vê.
Parece que essa idéia de inventar personagens que agem na vida é a unica maneira criada para se viver na sociedade.
Querer ser normal, se adaptar, ser aceito.
Não sou assim, mas quero ser.
Quero que saibam quem eu sou.
Loucuras do mundo moderno…
Talvez a dificuldade de encaixe no mundo seja geral.
Já que ninguém consegue se encaixar em uma busca sem fim.
Vivendo no caos, sem a intenção de sair dai.
Vivendo a mentira do mundo da felicidade de portas fechadas.
Vivendo a tristeza na alegria de ter mais.
Vivendo a pequena importância de crer em seu próprio universo.
Sabendo, ao fechar os olhos, que a infelicidade não tem espaço na plenitude.

sábado, 14 de abril de 2012

Voltando para si



Sempre.

O aprendizado que nos faz fortalecer
É aquele que se repete em sinais
Que reconhecemos.

Aprender que somos fortes
Além de qualquer resistência
Ou apego.

Praticar como se fosse a primeira vez
Com a lembrança do que foi possível
E ainda é.

Confiar no tempo
Na dedicação
E na entrega.

Sabendo que o que já foi vivido
Sempre está
Nunca foi embora.

Ter o conhecimento
Com a experiência
De um simples momento.

Vivendo cada experiência
Como unica
Ultima.

Mais feliz
Como se fosse o primeiro
De infinitos primeiros.